quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Diário de Bordo



(Início da escrita: 05.09.2008; Fim da escrita: 12.11.2009)

“Não somos enviados a lugares, e, sim, a pessoas”

Creio que essa frase foi dita, em sua missa, por Pe. Robertinho quando do seu envio para a China. Àquela época – e ainda hoje – isso me martelava na cabeça. Acho esta conclusão de uma simplicidade e complexidade ímpar.

É que, embora estando fisicamente em um lugar, nos relacionamos principalmente com as pessoas que nele habitam. Ninguém é uma ilha. Nos precisamos mutuamente embora sequer reparemos. Precisamos trocar experiências; educar e ser educado pelo outro; aprender com as experiências alheias; criar referências, positivas ou negativas, a partir do contato com gente.

É muito difícil explicar porque vamos. Intuição? Vocação? Vontade? Talvez tudo isso... Indubitavelmente, algo de dentro te dá forças para romper o pavor de enfrentar o novo, encarando de frente o oceano de incertezas que aos poucos vai se descortinando aos nossos olhos.

Dá medo ! Oh, se dá...

Não se sabe por vai...Apenas vai, e deixa a marcado no coração lembranças e muita história...mormente de gente.

Ir para Coimbra e completar meus estudos em outro país era um desejo que pulsava em meu coraçãozinho já há tempos. Felizmente, realizei e estou realizando.

“As coisas em Coimbra são demasiadamente intensas”, já me disse uma grande amiga. É mais ou menos isso: estar junto é JUNTO mesmo; sentir falta, é FALTA mesmo; se estuda, é ESTUDAR mesmo; se se diverte, é DIVERTIR mesmo; se se apaixona, é APAIXONAR mesmo.

Enfim, pensar nessa intensidade nunca me agradou. Mas, muitas vezes cai nessa ilusão de “intensidade”. Mais do que a “vida-mágica” que essa experiência me mostra, prefiro pensar numa temporada menos “intensa” para mim. Uma temporada que me permita olhar simplesmente para essa aquarela de emoções porque passo e passei, e prosseguir o caminhar sem aquele saudosismo que me impede de olhar um novo mundo a cada dia e conquista.

Que seja um “saudosismo” bom; que fiquem apenas as “melhores lembranças”; mas, que fique a certeza de que há muito que se ver ainda, e, sobretudo, muitos a quem se deve conhecer !

Feliz de mim se conseguir isto...

Até Breve!



Ps.: fiz o post ao longo do período acima destacado...a idéia era retratar um pouco as diversidades de sentimentos no “inicio” e no “fim” ... entendo a aparente falta de coerência do texto do post como sendo parte de um caminho que foi projetado de uma forma, mas que, no decorrer do tempo, teve de se adaptar à sua realidade. E isto, para mim, está sendo a mais bela e tortuosa aprendizagem: “as coisas nem sempre serão como eu planejei..mas tenho que continuar o caminho consertando-o e dando-lhe coerência”.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Diário de Bordo















Escrevo este post durante a minha viagem de retorno da ilha de Myconos, na Grécia , onde estive por 2 dias com os meus pais. Mas, a minha vontade de escrever agora não é de escrever fatos e acontecimentos dessa viagem - isto fica para uma outra oportunidade menos virtual uma reuniãozinha para uma cerveja e muitas risadas.

Ver o mar é fantástico. Inexplicável sensação de bem estar tal como a que tinha a ver o pôr-do-sol a partir do Porto da Barra. Lembranças de casa que vão aos poucos crescendo e me lembrando que a hora do regresso se aproxima.

Depois do medo do “ir para Portugal” o que tinha mais medo era do “ voltar para o Brasil” após estar esse tempo todo fora. O que vou encontrar de novo? Como será daqui para frente? E agora, José ?

Olha, de uma coisa tenho certeza: nunca me senti longe de muita coisa do Brasil...
Recapitulo aqui um post que fiz logo no começo da viagem. Falava, eu, há época, da presença mesmo sem estar fisicamente juntos. Falo, eu, agora, da presença estando juntos: a convivência.

De certo modo, é essa “perda” de convivência que me aflinge e causa uma ansiedade. Quando vim do Brasil, a “perda” de convivência com meus amigos históricos, família, trabalho... um porto-seguro, resumindo. Quando voltar ao Brasil, será a “perda” de convivência com a universidade, professores, novos e grandes amigos, a vida calma de Coimbra, a vida agitada de Coimbra... um novo porto-seguro, resumindo.

Já havia percebido um pouco disso quando alguns amigos “de Coimbra” começaram a regressar às suas casas... o quanto a perda dessa convivência me fazia repensar os meus sentimentos em Portugal. Estranhamente, “perder” a convivência com aqueles outrora desconhecidos me causava uma grande falta.

Mas, creio que a vida tem um pouco disso: um eterno vai-e-vem; um eterno estabelecimento de “portos-seguros”; um eterno medo do desconhecido, que logo se transforma num apego ao conhecido...

É bem por ai que me sinto ao pensar que se aproxima a hora de voltar.

Mudando de assunto e sendo mais prático, antes de voltar, preciso iniciar a escrita da minha dissertação. Preciso escrever um post sobre o tema que pretendo desenvolver, mas desde já digo que é sobre Direito e Residuos Sólidos. Enfim, qualquer coisa que vocês virem sobre resíduos, lixo, discussões sobre aterros sanitários ou tratamento de resíduos, etc. me interessa. Podem mandar um e-mail para diogoacg@gmail.com.

Até a próxima !

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Diário de Bordo




Agora escuto “o grande circo místico”. Um musical de Chico e Edu Lobo; Uma pérola; Um conforto à alma. A certeza de que a música me impele a transcender, e me ajuda a abrir horizontes outrora encobertos por nuvens tão cinzentas quanto indecifráveis. Não tem explicação. O sentido não se restringe aqueles conhecidos.

Paladar, tato, olfato, visão, audição, já não são capazes me reportar um senso de satisfação e plenitude que às vezes tenho. Como a que tive outro dia ao ver um parque de tulipas numa recente visita Holanda; Como a que tive outro dia ao ouvir e cantar “Alegria” ao telefone com um amigo; Como a que tive outro dia quando bebi com amigos durante uma das maiores festa “Open Bar” que já fui (refiro-me ao Cortejo da “Queima das Fitas” de Coimbra); Como a que tive outro dia quando toquei violão sozinho numa noite “inspirada”; e Como a que tive outro dia quando percebi os cheiros das cidades por onde passei numa pequena “euro-trip”.

Não foram apenas os sentidos primários que ali estiveram presentes. Há um “quê” de místico em tudo aquilo. Sempre há. Existe, bem no fundo, uma transcendência que me empurra e orienta a enxergar mais e mais do que o simples e óbvio momento “visível”, “saboroso”, “cheiroso”, “texturizável”, “audível”. A par dessa contemplação sobrenatural, sinto às vezes necessidade de contemplar também a naturalidade dos eventos. E, assim, sentir os sentidos de forma plena. Sendo telúrico e transcendente, ao mesmo tempo.

Difícil isto ?? Muito !! Mas, sinto que se fizesse uma escolha única por essas duas formas de encarar a vida, seria infeliz. Considero-me, hoje, uma viajante com pé-no-chão. Ou melhor: um viajante que quer ter os pés-no-chão.

Até a próxima!

Ps: Algumas pessoas me perguntam como fui nos trabalhos. Respondo agora: Um deles já apresentei e entreguei (estou livre !!!). Acho que fui bem. Quanto ao outro, por uma série de contratempos do professor ainda não pude apresentar. Ficará então para o dia 19.05. Pior de tudo é que no dia 26.05 terei um terceiro trabalho para apresentar. Ou seja, salve-ME quem puder !!

sábado, 11 de abril de 2009

Diário de Bordo


Período de entrega e apresentação de trabalhos. A vivência, agora, é puramente intectual. (quanto pedantismo, meu Deus...rsrsrrs)

É óbvio que dou umas "fugidinhas" de vez em quando: vejo uns filmezinhos que andei baixando; ouço umas músicas; toco violão; enfim, respiro... Entretanto, dou mais importância, agora, aos papers que tenho de apresentar nos dias 22 e 28 de abril.

Um, fala de "Democracia Interna nos Partidos Políticos portugueses" a partir da análise do acórdão n. 185/03 do Tribunal Constitucional de Portugal. O outro falará do caso "Massachusetts Vs. Environmental Protection Agency (EPA)", julgado pela Suprema Corte norte-americana, e dará o enfoque na decisão do tribunal de obrigar a EPA a fiscalizar e regular as emissões de dióxido de carbono nos EUA.

Não estou nem um pouco afim de escrever sobre esses casos aqui e agora. rsrsrs. Mas, adianto que estou muito empolgado com esses trabalhos...

Muito trabalho pela frente!

Até a próxima!!

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Diário de Bordo


O som é calmo e ajuda. Há tempos deixei esse blog de lado. Agora, me sinto mais a vontade a retomar a ideia dessa catarse de palavras que, algumas vezes, transcrevo aqui: registrar o meu percurso ao longo do período do meu mestrado. Em verdade, as vivências do mestrado em Portugal servem de “norte” para contar outras experiências que a ele são e serão contemporâneas. Não dá para escrever tudo. Nem se deve escrever... Além de ser excessivamente reducionista, querer colocar tudo que vivo em “post`s” é, no mínimo, chato. Sou (somos, nós) maiores do que os textos e contos que escrevemos.

Os quase 3 meses que me separaram do “Diário de Bordo” anterior foram muito intensos. Impossível para mim querer escrever sobre isso. E não falo nem escrever aqui no blog... Cada experiência que vivi nesse período, queria escrever, registrar, fazer poesia, música... Assim, para mim mesmo. Sem nenhum interesse em publicar ou publicizar nada. Enfim, “recortar” em forma de algo “palpável” aqueles sentimentos que eram só meus. De fato, não deu...

Aos poucos vou entendendo esses “brancos”. Tenho que, cada vez mais, acalmar o coração e simplesmente viver o momento. A dor, o medo, a ansiedade, a novidade, a alegria, o beijo, o “frio-na-barriga”, a saudade, nem sempre precisam ser, imediatamente, expostas em forma de registro facilmente alcançável pelos nossos sentidos mais óbvios ; nem sempre precisam ser, imediatamente, “transcritas” (falo de uma poesia,uma música, uma palavra...). Tem de ser vividas e saboreadas.

Um aparte: É necessário expor o que sentimos! É necessário compartilhar a dor, a alegria, o medo, a insegurança com os outros. Não é disso que falo. Falo, aqui, da nossa imensa capacidade em transformar o que sentimos em arte. É sobre capacidade deixar visível o invisível, que me refiro. E isso me faltou nesse período.

Espero que o dia de hoje marque o reencontro de dois velhos amigos: Eu, comigo mesmo.

Muito prazer, sou Diogo Guanabara, e gostaria de convidar você a acompanhar um pouco esta minha jornada.

Até a próxima!

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Diário de Bordo



A foto que segue exposta foi tirada em dezembro de 2008, durante a viagem que fiz com alguns colegas pela Espanha.

Muito bom conhecer outro país, outra realidade, outras pessoas. De alguma maneira, isso ajuda a pertencer ainda mais a este novo momento que estou vivendo por cá. E digo que é um momento muito musicado.

Seja pela companhia infalível de um violão/amigo; seja pelo conforto que ouvir algumas musicas me traz, sinto, cada vez mais, a necessidade de silenciar e deixar ser conduzido também por uma melodia e uma letra, quer sejam de outros compositores e interpretes, quer sejam pelas minhas e de meu primo Beto (sim, de vez em quando também me arrisco a fazer umas “coisinhas”...rsrsrs).

Convido-lhes a viajar musicalmente comigo, contando com a ajuda do “youtube”, clicando nos links que abaixo selecionei.

Particularmante, falo das musicas interpretadas por Oswaldo Montenegro (essa e esta). Posso dizer que Vinícius de Moraes ecoa alto aqui em Coimbra, e que o piano de Tom Jobim me encanta gradativamente. A voz de Milton Nascimento é dos deuses em “Beatriz”. E o “Clube da Esquina” de Lô Borges me traz lembranças que estão no espírito. 14 Bis me relembra que “há um menino, há um moleque, morando sempre no meu coração”. Mas também poderia falar desta que já foi cantada por Vânia Abreu. Putz...Gonzaguinha, me convida todo dia a recomeçar; Chico retrata tão bem o "Tanto Mar" que existe entre eu e os Meus. E por ai vai...

O rol é maior que este, é claro. São tantas e tantas hão de vir ainda... mas, como disse, é momento de silenciar e deixar ser conduzido pelos acordes. Apenas eles.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Diário de Bordo



Hoje, nenhuma palavra seria suficiente. É só esta música mesmo...
Aprendamos, pois, com ela...com Beatriz...

Beatriz

(Edu Lobo/Chico Buarque)

"Olha
Será que ela é moça
Será que ela é triste
Será que é o contrário
Será que é pintura
O rosto da atriz

Se ela dança no sétimo céu
Se ela acredita que é outro país
E se ela só decora o seu papel
E se eu pudesse entrar na sua vida

Olha
Será que ela é de louça
Será que é de éter
Será que é loucura
Será que é cenário
A casa da atriz
Se ela mora num arranha-céu
E se as paredes são feitas de giz
E se ela chora num quarto de hotel
E se eu pudesse entrar na sua vida

Sim, me leva pra sempre, Beatriz
Me ensina a não andar com os pés no chão
Para sempre é sempre por um triz
Aí, diz quantos desastres tem na minha mão
Diz se é perigoso a gente ser feliz

Olha
Será que é uma estrela
Será que é mentira
Será que é comédia
Será que é divina
A vida da atriz
Se ela um dia despencar do céu
E se os pagantes exigirem bis
E se o arcanjo passar o chapéu
E se eu pudesse entrar na sua vida"

http://www.youtube.com/watch?v=ijslD3bfsbk

domingo, 14 de dezembro de 2008

O Pato


Afff... esses "post" de Diogo estão muito chatos. A rotina do cara é livro-preocupação-biblioteca...(não nessa mesma ordem, diga-se). Nunca mais me levou para passear... viajar entao... Ohhh meu Deus!! (só se for na maionese...). Não vejo a hora de conhecer a europa. Tô achando que vou fazer isso sem ele mesmo...Ele que se vire depois para me achar...

A foto aí ao lado é do quarto de cama dele...resolvi colocar ela para ver se vocês incentivam ele a arrumá-la...

Está lançada a campanha: "ARRUMA A CAMA, DIOGO !!!"

Fui !!

Ps.: Um Beijo para Paty, Márcio e Léo !! (estes sim, se preocupam comigo !!! Diogo, não !!!)

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Diário de Bordo














(falta) Inspiração


O longo intervalo entre uma postagem e outra tem dois significados.

Primeiro, estou numa grande correria aqui com trabalhos a serem entregues nos meses de dezembro e janeiro. Segundo, falta de inspiração. E é neste segundo motivo que me prendo agora.

Pegando carona num recente conselho de Pe. Irala, um amigo de Salvador, vou ao dicionário e verifico: “Inspirar: 1-introduzir ar nos pulmões; 2- exercer ou receber influência sobrenatural ou divina; 3-estimular, com sua beleza, seu amor, encanto, inteligência, virtudes etc., a capacidade criativa de alguém, dando-lhe ânimo e vontade de trabalhar, de criar; 4-exercer ou sofrer influência animadora, vivificadora; entusiasmar(-se), arrebatar(-se); 5- fornecer ou receber estímulo, idéia, sugestão; 6-influenciar ou ser influenciado; modelar(-se);7-infundir sentimentos ou pensamentos; sugerir, incutir, bafejar”

São tantos os significados; São tantas possibilidades,mas, às vezes, falta algo que indique como se inspirar. Uma ponte que ligue um estágio de “não-inspiração” a um estágio de “inspiração”. E, ressalto quando me refiro a palavra “inspiração”, a trato em todas as acepções que acima transcrevi.

Por vezes não se consegue respirar, pois o ar não percorre o caminho do corpo todo como deveria; Falta a (re)ligação com o divido, o Deus-comigo já não é tão presente quanto deveria ser; Não se vê beleza ao redor e nada comove para criar algo novo; É difícil se entusiasmar com alguma, pois tudo lhe é comum, e, por isso, se fecha as idéias e estímulo do outro (idéias simples, caminhos simples...realmente, a felicidade cada vez mais vista na simplicidade).

É verdade... estive sem inspiração esses dias...

Ao tempo que escrevo, penso no que me fez e me faz recuperar esta...como posso dizer... “inspiração”. Então, não vejo fórmulas mágicas. Mas, sim, vejo rostos de conhecidos, e de desconhecidos que se tornaram conhecidos; sobretudo, vejo um sorriso (aliás, “O” sorriso); Ouço sons de vozes perto e longe... de muitos sotaques e intensidade; Ouço melodias já criadas, e ainda por criar (um Novo Dia em forma de música, sempre); Leio para sedimentar posições (sim, é chegado o momento!!).

Em tempos de falta de inspirações, sou grato àqueles que me ajudaram a, aos poucos, iniciar a pintura de um quadro melhor: a Saudade de Azul; a Tristeza de Verde; e a Certeza de Branco.

Não me arrependo de nada! Porque é “caminhando que se caminha”, e é com os pés no chão e cabeça erguida que se “Inspira”.

sábado, 15 de novembro de 2008

Diário de Bordo


“In vino Veritas”…

Contudo, não é pelo vinho que tomei há pouco que me atrevo a desafiar, mais uma vez o papel (ou seria o meu laptop ?), para escrever algo. É sobre o sentimento de PRESENÇA que quero partilhar com vocês. E tal como o vinho, ela é verdadeira!

Sob um dos seus ângulos, estar longe significa interromper barreiras físicas. Significa dar cabo de uma situação de pertença física do outro.

É quando tomamos contato com os mais possessivos sentimentos humanos: aqueles que dizem a alto e bom som: “É meu!”. No entanto, ficar longe subentende que o outro responde a esta exclamação desta forma: “Mas eu vou...”.

Acredito que aí reside o nó de um dos nossos problemas. Não temos controle sobre a vida do outro. De fato, a vida dele não nos pertence. E, por isso, muitas vezes o sentimento de pertença física dá lugar, a uma frustração imensa (“Ele(a) não gosta mais de mim...”). Isto porque, insistimos na velha fórmula de que o mundo deve girar ao nosso redor, e que devemos ter controle ao máximo das situações (e poderia dizer também, pessoas) que passam aos nossos olhos.

Por sua vez, estar perto é muito mais do que simplesmente pertencer fisicamente. É estar Presente.

E, nesta ideia de presença, ela não necessita da proximidade física.

Algo que vem do coração (e, também poderia dizer, do centro de nossas emoções), transcende a carne e se esvai pelo ar, para então chegar ao coração do outro, sem que importe este estar perto ou longe fisicamente. É o mais puro exemplo do que é ser sublime em nossas relações pessoais.

Por uma música que lembra algo ou alguém; um sorriso numa fotografia; por uma oração; ou através de uma contemplação ao ambiente, acredito que podemos nos conectar ao outro e curtir a sua presença mesmo estando a quilômetros de distância.

Presença sem Pertença Física, repita-se.

Por ser tão sublime, é difícil de ser decodificada em palavras a Presença que sinto dos que tenho muito carinho. Embora não pertença fisicamente ao ambiente que muitos estão nesse momento, sinto-me, inexplicavelmente, Presente.

O que é muito bom! Porque esse exercício que faço, diariamente, de deixar de Pertencer Fisicamente (e também de querer Ter Fisicamente) a pessoas que sempre tive por perto, dá lugar, gradativamente, a uma Presença enorme e sólida. E, esta sim, é muito mais importante para mim.

Muito boa esta experiência! O que - é bacana também dizer - não me impede de estar Presente aqui... Vivenciando cada segundo dessa minha jornada, e até pertencendo fisicamente a este ambiente que ainda não foi desvendado.

Termino com a excelente música de Zé Kéti e Hortêncio Rocha, lindamente cantada, inicialmente, por Nara Leão, e regravada pela, não menos linda, Fernanda Takai: “Diz que fui por aí”.

Diz que fui por aí

Se alguém perguntar por mim
Diz que fui por aí
Levando um violão debaixo do braço
Em qualquer esquina, eu paro
Em qualquer botequim, eu entro
E se houver motivo é mais um samba que eu faço
Se quiseres saber se eu volto diga que sim
Mas só depois que a saudade se afastar de mim...
Eu tenho um violão para me acompanhar
Tenho muitos amigos, eu sou popular
Eu tenho a madrugada como companheira
A saudade me dói no meu peito me rói
Eu estou na cidade eu estou na favela
Eu estou por aí sempre pensando nela
Pensando nela... Pensando...

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

O Pato


Este sou Eu,mostrando as aves do Porto (nenhuma me deu mole... gRRRRR)

Ta difícil viu?! Diogo só quer saber de Estudar; as "Tugas" não me dão bola (e olha que até já chamei algumas para tomar um café na margem do Mondego); tá um frio da zorra em Coimbra; putz... assim não dá !!

A gente se vê...

domingo, 2 de novembro de 2008

Diário de Bordo


No último Fim de Semana estive em Porto. Uma cidade encantadora e um vinho ímpar.
Acima, segue uma foto retirada da margem do Rio Douro, que faz divisa da cidade do Porto com Vila Nova de Gaia. Alias, vocês sabiam que o vinho do Porto não é "do Porto", mas, sim, de "Vila Nova de Gaia"? rsrsrs

É que as caves onde ficam armazenados os vinhos "do porto", em verdade, se localizam em Gaia. Bem, mais uma informaçao para a inútil série "Cultura de Sovaco!".

Outra coisa que me chamou a atençao em Porto foi a Igreja de São Francisco. Tal como a igreja que existe em Salvador, é repleta de ouro, o que é uma contradição com as idéias (ops...boto o acento ou não? rsrsrs) da pobreza franciscana. Bem, conversando com minha amiga Renata de Salvador, pude entender um pouco os motivos que levaram a se ter tanto ouro em um templo. Entretanto, ficou comigo a reflexão de que é preciso enxergar Deus além do luxo que esses templos têm.

Aliás, penso eu, essa re-ligação com o Divino precisa ser bastante simples. Sem ostentações e muitos penduricalhos.

Contradizendo tudo o que eu disse acima, não posso deixar de dizer que fiquei um bom tempo da minha visita embasbacado com uma obra na Igreja de São Francisco. É a "Árvore de Jessé", provavelmente talhada por Felipe da Silva e António Gomes, em 1721. Veja ela aqui, e leia sobre ela aqui.

Uma escultura linda e imensa, que, além de toda a simbologia que nela há, traz uma riqueza de detalhes nas expressões de cada personagem que, de fato, foram talhados e pintados a ouro.

Enfim, muito boa a visita!
Quem for ao Porto, não deixe de conhecer.

Até a próxima!

Ps.: O Pato Tinho mandou lembranças. Ele está bem, ainda com ressaca, porque tomou, lá no Porto, da "água que passarinho não bebe, que tubarão não nada". Mas, está tudo bem com ele já.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Diário de Bordo


É período de recepção aos caloiros aqui em Portugal. Em todas as regiões do país, se festeja a chegadas dos “bichos”, como, geralmente são chamados eles. Cada universidade tem sua forma particular de recepção, mas creio que a grande maioria opta por fazer algo nos moldes tradicionais, ou seja, cada caloiro é enfeitado por latas e todos eles, cada um de acordo com seu curso, segue em cortejo ela cidade entoando cânticos e hinos próprios. Enfim, é uma esculhambação só. Neste fim de semana, estive em Porto,e, no domingo, houve a recepção dos caloiros das universidades daquela cidade.

Aqui em Coimbra, este período é muito importante. Dá-se o nome de “Latada” para o conjunto de festas que marcam a recepçao dos “bichinhos”. Tudo se inicia com a tradicional Serenata e nos dias que seguem existe uma festa com bandas “da moda”, regadas a muito alcool.

No dia da Serenata, cada curso se reune particularmente e faz o seu jantar. Após o jantar, todos vão a um local dentro da Universidade (muda-se o local anualmente) e lá há uma apresentaçao de algumas Tunas Acadêmicas da Universidade. Clique aqui e veja um video excelente que mostra como é uma serenata.

Apesar de não ter ficado até o final (sim, as músicas são muuuuuuuuito melancólicas) achei bastante interessante a cultura acadêmica. A cidade desde a tarde estava repleta de gente com seus trajes acadêmicos, revelando um clima muito bom.

E sobre esse traje, cabe aqui uma explicaçãozinha que obtive com meu companheiro de casa Luiz (vulgo Leitão) . Em verdade, o traje acadêmico da Universidade era utilizado como uniforme para a universidade. Atualmente, não existe mais a necessidade de se usar tal traje nas aulas, mas alguns alunos ainda os usa diariamente. É comum, porém, que a maioria dos estudantes os tenha em casa, mas só use em ocasioes especiais, como, por exemplo, a Serenata que lhes falei acima, e a Queima das fitas (que marca o fim do ano letivo).Este traje é apenas um aspecto da “Praxe Academica” da Universidade.

Como vocês já devem ter percebido, Coimbra é uma Universidade bastante cultivadora dessas tradições, e existe um código da “Praxe Acadêmica” que enumera como os estudantes devem se comportar, se vestir, enfim..um monte de coisa. De forma sintética, essa Praxe nada mais é do que um Código de ética elaborado pelos estudantes veteranos de Coimbra.

Felizmente (ou infelizmente?), se percebe que essa praxe vem, gradativamente, perdendo força, seja por questões de mudança de cultura do mundo acadêmico, seja porque ela, ao longo do tempo, criou alguns atritos entre estudantes por ocasião de trotes violentos, o que levou a direção da universidade intervir em certos momentos proibindo algumas praxes.

Enfim, coisas de Coimbra...


Ps.: Aproveito para divulgar também o meu album de viagem:

http://picasaweb.google.com.br/diogoacg ou se preferir, clique aqui

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

O Pato


Bem...cheguei! Aqui estou eu... estava com muita preguiça para ir às aulas, mas Diogo, meu companheiro de viagem, me convenceu a ir. E para nao perder a viagem (e provar que vim mesmo para Coimbra !!!) tirei uma foto nada tradicional no pátio da Faculdade de Direito. Certamente, Diogo irá escrever mais sobre a faculdade e tudo que há nesse pátio. Digo isto porque soube que ele anda lendo muito sobre a história da Universidade de Coimbra... n sei para quê...mas cada um com sua mania... rsrsrsrs. Enquanto ele não resolve postar nada aqui, vou arrumando minhas malas para ir ao Porto amanhã. Ah, Diogo vai também! Espero que ele pague para mim uma taça de um bom vinho do Porto.

Até breve !!!

terça-feira, 21 de outubro de 2008

O Pato


Este é o Pato Tinho, uma grande lembrança dos meus amigos Paty, Marcio e Léo de Salvador/Ba. Devo lhes dizer que o Pato Tinho me acompanhará pelas viagens que fizer aqui pela Zoropa... Esta foto eu tirei ainda em Salvador quando o Pato estava arrumando as suas malas.

Vida de Pato é difícil...

Atualmente, ele está se adaptando ao clima de Coimbra e anda de mau humor. Por isso, não quis sair de casa nem tirar fotos ainda. Mas creio que, em breve, ele me fará companhia nas aulas, e, assim, poderei tirar fotos dele na faculdade.

É esperar para ver...

Diário de Bordo


UFA , cheguei!!!
Olá meus queridos, como estão??
Por aqui em Coimbra as coisas estão se ajeitando. Já saí da pensão que fiquei temporariamente e estou num quarto bem pertinho da faculdade. Foi difícil consegui-lo em razão de já terem começado as aulas da graduação da universidade, mas estou aqui! E é isto o que importa!
A universidade é linda. Uns chamam de velha e acabada, outros preferem dizer “perfeita”...enfim, fico com o adjetivo linda e deixo para vocês tirarem suas respectivas conclusões ao tempo em que eu for enviando algumas fotos.
As primeiras impressões são as melhores:
A cidade é bem agradável. Toda pequenininha...toda “velhinha” (rsrsrsrs)... toda cheia de estudantes do mundo inteiro... Não está fazendo muuuuuuuito frio, mas, pela noite, ao se falar, já sai da boca aquelas fumacinhas típicas.
A universidade, como disse, é linda. Mas, esquecendo um pouco toda a beleza artística dela, pude perceber que o curso será bastante interessante, seja do ponto de vista acadêmico, seja do ponto de vista pessoal. Em pouco tempo, tive contato com pessoas as mais diversas, e que trazem consigo idéias do Direito (e da vida, por óbvio) diferentes da minha. Acredito que será um período ímpar este.
Enfim, por enquanto é só isto o que lhes consigo transmitir. Não por egoísmo, mas é porque são tantas as impressões que é humanamente impossível transcrevê-las em um simples e-mail. (Se fosse possível, tenho medo do tamanho que essa cartinha-virtual teria...rsrsrsrrs. E, aqui, faço logo o convite para acompanharem algumas impressões que terei ao longo dessa viagem no meu blog “palavrasenfim.blogspot.com”).
Entretanto, não poderia jamais de deixar de agradecer a todos aqueles que torceram para que desse tudo certo. E, do fundo do meu coração, gostaria de agradecer a cada um que, ao seu modo, me ajudou. Foram tantas as lembrancinhas, cartas, os telefonemas, as festas, as energias positivas enviadas, as orações que, até agora, me pergunto se sou realmente merecedor disso tudo. Mas, ao mesmo tempo em que me questiono ,agradeço com todo o meu coração por tudo isso, e me prendo a todo esse incentivo para poder prosseguir e ir em frente.
Deixo aqui também os meus contatos para matarmos a saudade, receber visitas, ligações, poder ajudar de alguma forma, etc.

Orkut: Diogo Guanabara
MSN: digoacg@hotmail.com
Skype: diogo.guanabara
Celular: 00 XX 351 9171 22211
Endereço: Rua Eça de Queiroz, n. 25, 3000-147, Coimbra, Portugal

Um grande beijo !!!!
Diogo

sábado, 18 de outubro de 2008

Palavras em Versos


Partir.

Partir é Andar.

Repartir.

Repartir é Dar.

Repetir...

Repetir e Mudar.


Seguir.

Seguir é Aprofundar.

Conseguir.

Conseguir é Ensinar.

Prosseguir...

Prosseguir e Esperançar.


Ter.

Ter é Voar.

Reter.

Reter é Estar.

Conter...

Conter e Compartilhar.


Tão imensos são eles. Os verbos falam pouco. Agem mais. Gosto deles porque criam. São criativos neles mesmos. E o são desde o início. Aliás, eles foram o início porque estavam voltados para algo maior. Daí podermos bailar com eles. Num balé de complementações, conseguimos juntar uns com os outros e criar. Ter...conTer; Seguir...proSeguir; Partir...rePartir.


Tão fortes são eles, porque nada foi feito com a sua ausência. E tudo é cinza sem eles. Não tem cor e fica nulo. O vazio que nada produz, senão a angustia de nada ter. Mas, eis que estão ali. Porque brilham mesmo no cinza. E criam, porque são da luz. Nada é feito sem a sua presença.


Muito prazer, meu verbo é Ser!